Ontem eu chorei, e chorei muito.
Não foi por ter perdido um amor, nem por dinheiro, nem por emprego, nem por terem me magoado, nem por nada parecido com isso. Chorei por desespero, por não conseguir agarrar a esperança, chorei por uma dor que não era minha.
Me acabei e me inundei de repulsa, de nojo, de dó e de ternura.
Acho que não há quem não tenha sentido um arrepio na espinha quando ficou sabendo dessa bárbarie que aconteceu essa semana no Rio. Alguém que puxa uma criança pelo braço de uma esquina à outra já nos chama atenção, imagine um inocente sendo arrastado por 7 km, vendo ficar para trás os destroços de um futuro.
Não, eu não consigo chamar quem cometeu um crime desses de pessoa, nem de inseto, nem de nada. Simplismente não há definição para isso.
Espero que mais uma vez isso não passe impunemente, como sempre passa, porque me desculpem, mas brasileiro é bundão. É acomodado demais, é quieto demais. Só fazem barulho no carnaval. Pelo amor de Deus! A justiça não é cega e não é possível que essa seja uma terra sem leis.
Não importa que o cara tenha 18, 30, 80. Se é grande o suficiente pra roubar e matar, é suficientemente capaz de responder pelos seus atos. Chega de uma justiça muda, de crimes varridos para debaixo do tapete. Sei que a justiça maior é a de Deus, mas caras como esses não podem ficar aí, soltos, tomando cerveja no bar da esquina de sexta feira enquanto o quarto da casa nova de João fica lá vazio... Enquanto fica o buraco na alma de seus pais e do país.